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Como avaliar e negociar uma oferta de emprego, segundo Harvard

Parabéns! Você conseguiu o emprego. Agora, vem outra parte importante: decidir se aceitá-lo ou não.

Mesmo após tanta espera por um bom emprego, é importante avaliar se essa oferta é realmente um bom emprego. Como saber se o salário que ofereceram é justo? Se os benefícios extras são extras mesmo ou descontados do seu salário? Será que você poderia conseguir um acordo melhor? E mais importante, será que esse é o trabalho certo pra você?

O que dizem os especialistas

“Quando um empregador te faz uma oferta de trabalho, ele, em essência, gostou de você”, diz John Lees, o estrategista de carreira do Reino Unido e autor do livro Código de Sucesso. “Ele tem um compromisso psicológico com você e esse é um momento crítico.” De acordo com Lees, nesse momento “você tem mais vantagem” para melhorar suas condições de trabalho, seu salário e o pacote de benefícios. “É mais fácil obter estas melhorias logo após receber uma oferta do que nos dois primeiros anos de emprego”. Ainda assim, avaliar uma oferta de emprego nem sempre é fácil – especialmente porque você não pode ter o luxo de compará-la com a oferta de outros candidatos. “Retroceda e pense de forma expansiva sobre seus objetivos”, aconselha Jeff Weiss, presidente da Lesley University e autor do HBR Guide to Negotiating. “Pense sobre a oferta em termos de seu desenvolvimento, sua qualidade de vida e o tipo de trabalho que você quer fazer.” Nenhuma oferta de trabalho será perfeita, então, uma grande parte da avaliação exige que você “pense sobre os sacrifícios você está disposto a fazer”.

Aqui estão algumas idéias para ajudá-lo a descobrir se o trabalho é ideal para você:

Mude sua mentalidade

Primeiro, você deve reconhecer que receber uma oferta representa uma “nova e diferente fase” do processo de busca de emprego, diz Lees. “O objetivo da entrevista é obter a oferta”, diz ele. A próxima etapa é avaliar essa oferta e, em seguida, negociar com o seu novo empregador. Tenha em mente que mesmo que o trabalho seja seu se você quiser, você deve “continuar entusiasmado” em suas relações com seu gerente em potencial, diz Lees. “Sendo crítico ou suspeitando de algo sobre a oferta, você está enviando um sinal negativo”, diz ele. “Isso soa como se você estivesse inseguro que você quer o emprego.” Isso pode realmente ser o caso, mas não é a mensagem que você deve enviar para o seu futuro gerente. “Os empregadores precisam sentir que seus empregados estão comprometidos.”. Então, o ideal é resolver qualquer dúvida ou insatisfação antes de iniciar no novo emprego.

 

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Seja metódico

Você precisa pensar sobre o que importa para você, tanto na sua vida profissional e privada e, em seguida, “avaliar a oferta” considerando essas métricas, diz Weiss. “As pessoas tendem a se concentrar no dinheiro, mas é útil perguntar ‘O que tem valor para mim?’”. Afinal, o dinheiro é apenas um componente da satisfação na carreira. “Muitas vezes isso se resume a ‘eu prefiro fazer X quantia de dinheiro e ir trabalhar animado pela manhã, do que fazer X mais 10% e odiar o meu trabalho'”, diz ele.

Abaixo estão os componentes mais importantes a ter em conta ao avaliar uma oferta:

– Salário

Mesmo quando o salário da oferta é o suficiente para viver, você precisa descobrir se é uma quantidade digna de seu conhecimento e habilidades e se está em consonância com o mercado local. Olhe para o pacote financeiro em geral. A questão-chave, diz Weiss, é “Quanto alguém com minhas competências e experiência, neste cargo e nesta cidade ganha?”. Bases de dados e sites de pesquisa de emprego, como Glassdoor, Indeed, Ladders e Salary.com são um bom ponto de partida. Mas Lees recomenda falar com os recrutadores e headhunters e outros profissionais da indústria. “Encontre alguém que conheça o setor”, diz ele.

Como parte de seu trabalho de detetive, você também deve inventar “um bom argumento para explicar por que você está no top 10-15% desse intervalo”. Você também deve ter um plano de backup, caso não haja flexibilidade em termos de salário neste cargo.

– O trabalho em si

Também é importante pensar se você vai “obter satisfação no trabalho”, diz Lees. Para responder a esta pergunta, você precisa saber os “tipos de atividades que você gostaria de estar envolvido e as habilidades que você gostaria usar como profissional”. Pergunte a si mesmo “Eu quero liderar uma equipe grande, supervisionar apenas alguns outros, ou ter zero tarefas de gestão? Eu quero estar de cara aos clientes? Eu anseio autonomia? Eu quero muitas viagens internacionais – ou nenhuma viagem? Em que tipos de projetos eu quero me envolver? E que tipos de tarefas profissionais eu não quero fazer parte?

“Então veja quão bem a oferta combina com as responsabilidades que você está sendo convidado a assumir. Ter uma compreensão profunda do que é esperado de você é crítico para decidir se você quer realmente o trabalho”, ele adiciona. Pense bem se o “trabalho é realizável e se você acha que vai ser capaz de atingir as metas estabelecidas.” Se as respostas são não, pode ser que esse cargo não foi feito para você.

– Ajuste cultural

Você também deve “fazer a sua diligência” sobre a organização e seus empregados, para fazer um julgamento sério sobre se você vai gostar de trabalhar lá, observa Weiss. Pergunte a si mesmo: “Este é um lugar onde eu serei feliz? Onde eu serei desafiado? E onde eu vou prosperar?”. Para responder a isso, Lees recomenda utilizar sua rede de contatos, incluindo LinkedIn, e fazer perguntas do tipo “Como é a organização? Quanto tempo as pessoas ficam? Descubra o que aconteceu com a última pessoa que fez o seu trabalho. “Você não será capaz de negociar ou mudar a cultura da organização, é claro, mas é útil saber de antemão no que você está se metendo.

– Flexibilidade, férias e outros benefícios.

Para muitos funcionários, o tempo de férias e a possibilidade de trabalhar horas em casa são uma vantagem cada vez mais valiosa. Enquanto os benefícios de saúde são tipicamente padrão, o tempo de trabalho flexível pode ser negociável. Se a flexibilidade não é um componente explícito da oferta de trabalho, você pode abordar o tema na fase de negociação, diz Weiss.

Mas tenha em mente que coisas desse tipo são muito mais fáceis de negociar quando você se torna inestimável e já leva um certo período de tempo trabalhando. Mas você pode investigar se aos empregados atuais são oferecidos tais benefícios. Tenha uma idéia de como um pedido de flexibilidade pode ser recebido pela alta administração. “Se você é uma combinação perfeita para o trabalho e é um mercado carente de mão de obra, você tem um monte de vantagem”, diz Lees. Mas se o mercado é mais concorrido, você pode ter pouca margem de manobra.

– Outras opções

“Você também deve avaliar suas alternativas”, diz Weiss. Mesmo se você não tem necessariamente outras ofertas de emprego na mão, você precisa considerar outras possibilidades. “Pense na oferta em termos de custo x benefício de começar o processo de busca de trabalho novamente, de ficar no seu atual emprego ou de esperar para ver o que outras ofertas se materializam mais tarde na estrada”, diz ele. Este exercício é útil para te ajudar a perceber que você tem outras opções.

Elabore seu plano

Depois de ter determinado os elementos mais importantes que você gostaria de mudar na oferta, você precisa decidir quais cartas você vai jogar e a seqüência de como você vai jogá-las”, diz Lees. “Formular sua estratégia de negociação exige criatividade”, diz Weiss. Se você está lidando com um intermediário – um administrador de RH ou um recrutador, por exemplo – lembre-se de “não só fazer pedidos, mas também armar essa pessoa com perguntas, informações e idéias.” Aborde a partir da perspectiva de um problema em comum. Diga algo do tipo ” O salário que você está oferecendo é satisfatório, mas eu gostaria de seguir me desenvolvendo neste cargo. Eu tenho em mente algumas ideias que podem tornar o trabalho mais escalável, como ter acesso a um programa de tutoria ou um subsídio educacional. Qual destes poderia ser possível?”.

Seja duro, mas alegre

O resto é “negociação clássica”, diz Lees. Você deve maximizar o valor do seu trabalho e minimizar as coisas que você está pedindo. Demonstre também que você realizou uma avaliação ponderada. Por exemplo, você pode dizer: “Estou muito feliz com o cargo e as responsabilidades, mas eu gostaria de trabalhar em casa um dia por semana”. Tente ser um “negociador duro, porém alegre”, diz ele. “Entre na negociação com os olhos abertos”, acrescenta. “Você não pode negociar tudo e, uma vez que você tenha concordado com algo, você não pode voltar atrás”, diz ele. Weiss acrescenta: “Não é só o que você pede; É como você pede. Esteja bem preparado, respeitoso e construtivo. Você deve ser visto como alguém com quem eles gostariam trabalhar. “

Diga não (educadamente) se não estiver de acordo

Normalmente, há sempre perdas e ganhos nessas negociações, mas se você continua recebendo um “não” para tudo o que você pedir, demonstra inflexibilidade por parte do seu potencial empregador e pode ser uma realidade com a qual você não gostaria de conviver, diz Lees.

Preste atenção a bandeiras vermelhas. “Preste atenção ao seu sistema de monitoramento interno”, diz ele. “Se a devida diligência diz que você não deve aceitar o trabalho, ouça”. Além disso, não há vergonha em recusar uma oferta de emprego se não é o ajuste certo. “Contanto que você recuse educadamente com uma ou duas boas razões – não critique demais ou você terá que trabalhar em outro setor”, diz ele. Você deve “sempre deixar a porta aberta”, diz Weiss. As pessoas com quem você está lidando são seus potenciais clientes, potenciais consultores e talvez até seus futuros empregadores. Seja respeitoso.

Princípios a serem lembrados:

Correto

– Pense sobre o que você deseja além do seu trabalho e use isso como uma estrutura para determinar os elementos da oferta que você gostaria de negociar.

– Seja seletivo sobre o que você solicita.

– Empregue técnicas clássicas de negociação, maximizando o valor do que você oferece e minimizando o que você pede a mais.

Incorreto

– Ser crítico ou desconfiado ao questionar algo sobre a oferta.

– Negligenciar ou desconsiderar suas alternativas

– Ignorar bandeiras vermelhas. Se seus instintos lhe disser que você não deve aceitar o trabalho, escute.

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Veja original em inglês no site da Harvard Business Review

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